UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE SO SUL
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
PEAD
PÓLO DE GRAVATAÍ
EIXO VI -2009
INTERDISCIPLINA:EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS
PROFESSORA:Daniela Corte Real
ALUNA:MARINEZ PINTO
DOSSIÊ MARINEZ PINTO
RELATOS:
Minha caminhada como docente e minha experiência com inclusão
Começarei esse dossiê contando um pouquinho da minha caminhada como docente,esse mês completei 27 anos de magistério.Nesta caminhada aconteceram muitas mudanças na educação.Uma das mudanças que me lembro bem foi o construtivismo chegando com pouco conhecimento e atropelando tudo, pois não tinhamos base para trabalhar cada um fazia como achava que era certo.Hoje quando falamos em inclusão nas escolas, ficamos apreensivos com medo sem saber como trabalhar.No passado as crianças também eram de inclusão só que nas escolas regulares ficavam em uma sala chamada de "classe especial" onde uma professora tinha que dar conta do recado sozinha.
Trabalho em duas escolas na rede municipal de Gravataí, pela manhã com 1º ano EF9(ensino fundamental de nove anos) nessa escola temos um menino do 2ºano EF9(ensino fundamental de nove anos)de inclusão que não fica dentro da sua sala de aula caminha pelo pátio entra nas salas, outro dia entrou na minha sala sentou brincou com os brinquedinhos ficou um tempo, quando fui falar com ele levantou e saiu,nessa escola há outras crianças de inclusão mas o "M" ma chamou mais atenção.
No turno da tarde trabalho em outra escola do municipio como já havia comentado no inicio do dossiê, nesta tenho 2º ano EF9(ensino fundamental de nove anos) tenho 22alunos,sendo um de inclusão
que realizo um trabalho diferenciado, mas não excluo das atividades propostas em sala de aula. Na escola também tem dois alunos com Sindrome de Down um menino no 3º ano EF9 e uma menina no 2ºano EF9ambos com suas diferenças.Ele é uma criança comunicativa, meiga, carismática e desenvolveu sua aprendizagen a seu tempo está em construção.Ela conversa muito fala muito em namoro, casamento, e o que vai fazer quando crescer... mas não apresenta interesse pela aprendizagem.
Conviver com essas crianças é bem interessante e complicado para nós que não temos preparo nem formação.No entanto quando vejo que eu e meu aluno estamos avançando um pouquinho a cada dia me sinto realizada e penso que estamos no caminho certo,mas sei que tenho muito que aprender ainda,e sei também que não vou desistir,o apoio da escola é importante e sempre o tenho quando preciso.
UNIDADE 2 - POLÍTICAS PÚPLICAS BRASILEIRAS EM EDUCAÇÃO ESPECIAL E O PROJETO POLÍTICO - PEDAGÓGICO DA
EDUCAÇÃO INCLUSIVA
REFLETINDO AS LEIS
Falar em Leis é muito complicado.E para falar a verdade esse semestre e que me chamou realmente a atenção,pois até então discute-se nas escolas o que realmente nos interessa nas reuniões pedagógicas.
Entretanto as Leis no nosso País, principalmente quando se trata de Leis que envolvem a educação são muito demoradas.
A Educação Especial - modalidade de Educação Escolar é expressada pela primeira vez na LDB 4.024/61, onde o conteúdo aponta que a educação de pessoas com deficiência deve enquadrar-se no sistema geral da educação.
A LDB 5.692/71 fica expresso o tratamento especial para alunos com deficiência física e mental e os superdotados.
A atual LDB 9.394/96,capítulo V- Da Educação Especial,expressa que a educação das pessoas com deficiência,preferencialmente se dará na rede regular de ensino.
A Constituição Federal de 1988, traz como um dos seus objetivos fundamentais,"promover o bem de todos, sem preconceito de origem,raça,cor,idade,sexo e quaisquer outras formas de discriminação"( art.3º inciso IV).Define, no artigo 205, a educação como um direito de todos,garantindo o pleno desenvolvimento da pessoas,o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho.No seu artigo 206,inciso I, estabelece a "igualdade de condições de acesso e permanência na escola" como um princípio para o ensino e, garante como dever do Estado a oferta do atendimento educacional especializado,preferencialmente na rede regular de ensino(artigo,208).
O Estatuto da Criança e do Adolescente - Lei nº8.069/90, artigo 55,reforça os dispositivos legais ao determinar que "os paia ou responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino."Também nessa década, documentos como Declaração Mundial de Educação para todos(1990) e a Declaração da Salamanca(1994) passam a influenciar a formulação das políticas públicas da educação inclusiva.
Entretanto cabe a mantenedora estabelecer formas para o funcionamento de suas escolas, a fim de que essas tenham as suficientes condições para contar com profissionais capacitados e especializados conforme o previsto no Artigo 5º da LDBEN e com base nas Diretrizes Cirrículares Nacionais para a formação de docentes.
Referências Bibliograficas:
Brasil.Ministério da Educação - Lei de Diretrizes e Bases Educação Nacional,LDB4.024, de 20 de dezembro de 1961.
- Lei de Diretrizes e Bases Educação Nacional,LDB5.692,de 11 de agosto 1971.
Constituição da República Federativa do Brasil.Brasília.Imprensa Oficial 1988.
Brasil Estatuti da Criança e do Adolescente na Brasil - Lei nº8.069 de 13 de julho de 1990.
UNIDADE 3 - SERVIÇO DE ATENDIMENTO
EDUCACIONAL ESPECIALIZADO
PARTE A
Material fornecido pela orientadora da escola dos serviços de atendimento do Município de Gravataí - 29/04/2009
Atendimento especializado que a rede Municipal dispõe para as crianças e seus familiares.
Os serviços especializados são:
1) Material da SMED Gravataí – Atendimento a rede municipal
Público Alvo: Crianças e adolescentes
Especialidades atendidas: Neurologia, fonoaudióloga e oftalmologia.
a) Neurologia - A escola deve entrar em contato com o serviço social e agendar atendimento informando dados sobre o educando e informar motivo do encaminhamento.
b) Fonoaudióloga: A escola deve encaminhar o aluno para a triagem para o mesmo realizar uma avaliação.
c) Oftalmologia: A escola deverá fazer um teste de acuidade visual e encaminhar a ficha de encaminhamento para o serviço social.
2) CEACAF - Centro de Atenção a Criança, Adolescente e Família.
População Alvo: Crianças, adolescentes e família.
Especialidades atendidas: Psicologia, psiquiatria, psicopedagogia, serviço social, neurologia, hebiatra e terapia de família.
3) CAIS MENTAL
Público Alvo: Adulto
Especialidades atendidas: Psiquiatria, psicologia e assistente social.
4) CEAC – Centro de Ações Coletivas
Tipos de projetos e programas oferecidos:
* Programa DST – AIDS
* Atendimento Infectológico
* Consultas, coletas de exames.
* Atendimento psicológico
* Atendimento social
5) CAPS – A/D – Centro de Atendimento Psicossocial em álcool e drogas.
Público Alvo – Adulto
Especialidades atendidas: Psiquiatria, psicologia e assistente social.
6) Central de Especialidades
Público Alvo - Crianças, adolescentes e família.
Especialidades: Cardiologista, Neurologista, Ortopedista, Dermatologista, urologista, pneumologista infantil e eletro cardiograma.
7) Centro de Saúde dos Trabalhadores
Grupo Operacional – Atendimento dentro da área operacional e auxílio às unidades básicas das especialidades de traumatologia, otorrinolaringologia e fonoaudiólogo.
8) Conselho Tutelar de Gravataí
Público Alvo: Criança e adolescente em situação de risco vítima de violência, maus tratos e negligência.
9) CEDUGRA – Centro de Educação de Gravataí
Público Alvo: Criança e adolescente
Especialidades: Psicologia e Psicopedagogia
10) CAEPSY – Centro de Atendimento e Estudos em Psicologia
Trabalha com atendimento psicológico de compreensão psicanalítica, oferecendo serviços de psicoterapia individual, grupal, para casal e família.
Psiquiatria – Trabalha com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças mentais, sejam elas de cunho orgânico e funcional.
Psicopedagogia – Tem como foco o trabalho com as dificuldades de aprendizagem, atendimento a crianças e adolescentes.
Fonoaudiólogo – A terapia fonoaudiólogica trabalha as dificuldades no desenvolvimento da linguagem, de fala e da voz.
Inclusão de Pessoas com deficiência – O CAEPSY participa de todo o processo de inclusão, desenvolvendo um programa específico de preparação da equipe para receber e conviver com os novos colegas.
www.gravatai.rs.gov.br
Secretaria Municipal de Educação - SMED
PARTE B
ESTUDO DE CASO
A entrevista foi realizada com a vó Neli que cria o neto desde seus 8 meses de idade. Hoje Dilson tem 10 anos.
Neli começou contando como era a vida de seu filho Adilson, um rapaz trabalhador que gostava de sair ir a baile se divertir com amigos, em uma de suas saídas conheceu uma moça chamada Giseli, namoraram e ela engravidou.Foram morar juntos.Sua gravidez foi muito tumultuada eles brigavam muito e ele dava nela, por várias vezes Gisele teve que ir para o hospital fazer repouso para não perder o bebê.Dilson nasceu prematuro de oito meses, teve que ficar no hospital até atingir o peso. No inicio ele parecia uma criança normal conta a avó Neli.Mas aos oito meses teve a primeira convulsão, daí por diante suas convulsões eram mais freguentes e o comportamento do bebê não era como dos outros bebês.A avó conta que quando Dilson começou a apresentar esses sintomas a mãe foi embora para a casa dos pais, e o pai Adilson também foi embora deixando o bebê para a avó criar.Fiquei com ele, levei ao médico para saber realmente o que ele tinha que para mim era muito confuso, fiz e faço até hoje tudo para ele.
Hoje quando o pai do Dilson aparece é pra dizer que ele é "doido" que não precisa tomar remédio nenhum e o trata muito mau, bate no menino quando ele não faz exatamente o que ele pede achando que ele tem que fazer tudo bem certinho, a avó diz:Eu sei que ele não consegue.
Quando o Dilson fez três anos coloquei ele na creche, a minha vizinha falou que não ia dar certo lá.Mas eu não liguei e coloquei assim mesmo.Na creche ele brigava com as outras crianças e também com as tias que cuidavam dele lá, achei melhor tirar da creche, pois todos os dias recebia muita reclamação. E também as tias que cuidavam dele estavam colocando-o de castigo, quando ele saia do castigo brigava mais ainda.Nunca parei de dar o remédio para ele,sei que não pode ficar sem o remédio.
Quando o Dilson completou 6 anos (2005) coloquei ele aqui nesta escola, sei que as mães tinham medo que ele fosse fazer alguma coisa para seus filhos( brigar,machucar) Certo dia fui chamada pela professora e ela me disse: "O Dilson quando não está dormindo na sala briga muito com os coleguinhas não faz as atividades e na hora de brincar fica brigando com seus colegas." Sai dali bastante chateada achei que na escola ela não iria brigar pois teria tanta coisa pra fazer ali . Pensei que convivendo com outras crianças num lugar diferente iria se comportar melhor já que em casa vive comigo e seu vô que ele dá (bate) sem ter motivo.
Então a escola me chamou novamente para conversar com a orientadora e contei tudo a ela sobre o comportamento do Dilson, como era nossa vida e tudo o que fazia em casa e também o que ele estava fazendo na escola.Após essa conversa com a orientadora na escola ela me encaminhou para o CEACAF( Centro de Atenção a Criança, Adolescente e Família com especialidades, psicologica, psiquiatra, psicopedagogica, serviço social, neurologia, hebriatra e terapia de família) a partir dai o Dilson tem um acompanhamento semanal,onde seu comportamento tem variações constantes.
Quando ele passou para o 1º ano (2006) a professora também veio conversar comigo dizendo que ele não acompanhava as atividades em sala e não brincava com os colegas apresentando um comportamento agressivo.Neste ano o DIlson não foi promovido por ter dificuldade em compreender as atividades e não conseguir realiza-las. o Dilson então repetiu o ano.
Quando entrei nesta escola em 2007 trabalhando a tarde ouvia comentários sobre esse aluno,pois trabalhando em turno inverso ao que ele estudava não o conhecia pessoalmente.Certo dia,cheguei cedo na escola e fiquei em sua sala de aula para que a sua professora podesse falar com o pai de outro aluno.Quando entrei na sala ele veio perto de mim perguntou meu nome e o que eu estava fazendo ali,então eu disse. Então ele voltou para seu lugar e ficou mirando ( projetando)um lápis na minha direção, e jogou! Não liguei e ele me perguntou se eu não iria juntar o lápis, disse que não. Então ele juntou e jogou no lixo fazendo um gesto de afirmação com a cabeça.Mais tarde, conversando com a professora dele ela me comentou que sempre faz isso quando alguém chega na sua sala e uma maneira de desafiar a pessoa.
No ano de 2008 o Dilson passou para o horário da tarde, devido a medicação forte que toma ele dormia muito em sala, logo o Dilson veio a ser meu aluno.Quando entrou na sala me olhava, e eu perguntei se ele lembrava de mim. Disse que não.
O Dilsinho assim por mim chamado tem seus momentos de agressividade, mas também e uma criança muito carinhosa, temos um relacionamento muito bom.Passamos um ano nos conhecendo,e trabalhando com a sua realidade passando dentro do possível( no seu entendimento) os conteúdos previstos para se trabalhar com o 1ºano EF9, atingiu alguns dos objetivos trabalhados.
Esse ano(2009) ele é novamente meu aluno o seu tratamento( medicação) não mudou nada continua tomando a medicação diariamente, exceto nos finais de semana quando ele vai para a casa do pai que não dá os remédios.A avó relata que não gostaria que o pai levasse ele para sua casa uma vez que o pai é muito violento, e também não dá a medicação para ele, pois quando volta para casa da avó fica muito mais agressivo com ela, muitas vezes quebra coisas ( objetos)dentro de casa.A avó relata também que Dilson não tem contato com a mão biologica.O Dilson é mais um aluno na escola sem laudo.sabemos que algum tipo de problema ele tem, pois ninguém toma uma medicação assim tão forte sem ter nada.( O relato acima foi retirado de várias conversar com a avó do menino Dilson que é meu aluno na rede municipal a dois anos (2008 e 2009),neste ralato conto também um pouquinho de nossa caminhada.
RELATO DA ORIENTADORA DA ESCOLA
Conversando com a orientadora da escola sobre o trabalho que estamos desenvolvendo na interdisciplina Educação de Pessoas com NEE, estudo do caso, li o meu relato e pedi para ela desse um breve relato sobre o histórico do Dilsinho em nossa escola.
"O aluno iniciou na escola com um histórico de medicos( psiquiatra e neuroligista) e com medicações. Segundo a avó Neli que cuida do menino desde bebê, ele apresenta atitudes de agressivadade, com reflexos às atitudes do pai que "é" muito violento inclusive com a própria mãe ( a avó).
Dilsom custou a se adaptar ao ambiente escolar, na pré- escola, mantinha um comportamento "animal", só rolava pelo chão, se escondia dentro do armário, passava por debaixo das classes, não realizava as atividades propostas em aula.
No 1º ano começou a querer ter uma noção de ambiente escolar e obteve pouco desenvolvimento na aprendizagem ( levando em conta o ano anterior na pré- escola)
Durante esse tempo a avó não havia trazido para a escola um laudo sobre Dilson.Então enquando orientadora entrar em contato com os médicos(psiquiatra e neurologista) que nunca me davam um laudo oficial sobre a patologia de Dilson.
Entretando após muito insistir, a psiquiatra caracterizou-o como tendo surtos psicóticos,sendo que a psiquiatra anterior o diagnosticou como hiperativo e falta de limites.
Feito o laudo a medicação continuou sendo a mesma que a neuroligista dera a anos atrás, só aumentando as doses dos remédios para que pudessem contralar seus impulsos.
A Secretaria de Educação (SMED), por sua vez, compareceu a escola após ter sido solicitada, conversou com a professora e com o próprio aluno apanhou todos os relatos feitos e registrados do desenvolvimento do mesmo nesse período para poder acompanhar e auxiliar a professora, pois até agora o processo no desenvolvimento do aluno fica a cargo da professora e meu como orientadora que temos um laço de afetividade pelos quais ele ainda respeita e ouve. Casos como Dilson e outros,que não tem laudo ou sindrome estão lotando nossas escolas e pouco se sabe ou se pode fazer.Uma coisa nós profissionais na educação sabemos, estamos fazendo o nosso melhor."(Carmem Lúcia)
UNIDADE 4
INCLUSÃO - DEFICIÊNCIA FÍSICA
A construção da existência humana se dá a partir da inter-relação entre homens e mulheres,mediados pelo mundo,num dado momento histórico.Nesta perspectiva, a
formação e a constituição das sociedades primitivas na forma de tratar àqueles que nasciam ou eram acometidas por alguma diferença já mostrava a falta de consideração pelo ser humano que se enquadrava no padrão social e historicamente
considerado normal.
A partir daí, filósofos e pedagogos voltam sua atenção para o estudo destas
especificidades. No século XX, destacam-se Piaget e Vygotsky, preocupados com as
questões relacionadas à aprendizagem e os meios para facilitá- la. Dessa forma, estudos e
pesquisas se tornam bases para a revolução da educação especial na medida em que estas
propostas são consideradas conquistas para aqueles que trabalham ou que se preocupam
Durante 25 anos, a Educação Especial teve suas normas fixadas pelos Conselhos de
Educação, inspiradas na Constituição vigente em pareceres do Conselho Federal de
Educação. Após a aprovação da Lei nº 5.692/71, que previa tratamento especial aos
excepcionais, começaram a se desenvolver numerosas ações com vistas à implantação de novas diretrizes e bases para o ensino inclusivo.
Mas o momento que legitima o atendimento educacional especializado no Brasil
ocorre em 5 de outubro de 1988, quando é promulgada a Nova Carta Constituc ional
Brasileira, onde prevê o atendimento educacional especializado aos portadores de
deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino.
A Lei nº 7.853/89, de acordo com estudos de Arroyo (2001), estabelece “normas
gerais para pleno exercício dos direitos individuais e sociais, das pessoas portadoras de
deficiência e sua efetiva integração social”. Estabelece ao poder público e seus órgãos
assegurar a essas pessoas o pleno exercício de seus direitos básicos.
É importante não deixar de incluir também o Estatuto da Criança e do Adolescente,
que destaca que a “criança e o adolescente portadores de deficiência receberão atendimento especializado".
Finalmente, em 1994, consegue-se sistematizar e organizar em um único
documento as ações e políticas voltadas a Educação Especial. Surge então a Política
Nacional de Educação Especial, com vistas a estabelecer objetivos que garantam a
conquista e a manutenção dos alunos especiais nas redes regulares de ensino.
Assim, diante de tantas propostas para a estruturação da Educação Especial no
Brasil, surge a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei nº 9.394, onde
reafirma a preferência do atendimento aos portadores de necessidades educacionais
especiais nas redes regulares de ensino. No capítulo V, em seu artigo 60, parágrafo único diz que:"O Poder Público adotará, como alternativa preferencial,a ampliação do
atendimento aos educandos com necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino, independentemente do apoio as instituições previstas neste artigo".
Dessa forma, podemos perceber que a Lei aponta providências de ordem escola r ou
assistencial mas não define como será feita a integração desses alunos nas redes regulares de ensino.
Atualmente, a inclusão é tema de muitos debates no campo educacional.A idéia que se tem de inclusão é a da possibilitar que o aluno, com algum tipo de necessidade educacionais especiais, faça parte da escola na sua totalidade.Neste sentido, a inclusão na perspectiva educacional, poderá significar que as escolas devem possibilitar o acesso de todas as crianças nos meios regulares de ensino, sem que haja barreiras de participação dos alunos no processo de ensino e aprendizagem.
É neste sentido que, quando se fala em inclusão,é importante deixar claro que não se refere somente a alunos com necessidades educacionais especiais, mas a todas as crianças independente de cor, raça, religião,condição física ou que são excluidas por algum outro motivo.
UNIDADE 5
HISTÓRICO DA SINDROME DO AUTISMO
Em 1867, Henry Maudsley foi o primeiro psiquiatra há ter interesse por crianças com distúrbios mentais graves, descobrindo várias delas dentre elas, o Autismo. Já no século XX, de Santis introduz o termo Demetria Precocíssima, onde aparecem casos de início muito precoce.
O autismo em 1943, caracterizado por Leo Kanner tornou-se razão um dos desvios comportamentais mais estudados, debatidos e disputados, que teve o mérito de identificar a diferença do comportamento esquizofrênico e do autismo. Até hoje, sua descrição clínica é utilizada da mesma forma, que foi chamado de Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo – Síndrome Única. Na década de 70, houve a proliferação dos critérios diagnósticos.
Em 1983, as Síndromes de Asperger e Rett foram reconhecidas e deixaram de ser consideradas autismo, a Associação Americana de Psiquiatria cria o termo Distúrbio Abrangente do desenvolvimento e em 1987, o autismo deixa de ser uma psicose infantil. Hoje, o estudo está voltado para o aprofundamento real do que é o autismo, adaptação das crianças especiais em escolas de ensino regular e trabalhar também a afetividade das famílias dos mesmos.
A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO PEDAGOGICA
A avaliação do autismo deve ser fundamentalmente ideográfica, pois não se trata de descobrir e analisar as características de comportamento individual em interação com um determinado ambiente.
Entre os vários instrumentos que podem auxiliar neste aspecto, destaca-se o Programa da Escala Portage do Desenvolvimento (David Sherer 1969), que permite a avaliação nas áreas de linguagem, cognição, cuidados próprios, socialização e motora, fornecendo a idade de desenvolvimento em cada uma destas áreas e uma idade de desenvolvimento geral. (Gauderer, 1993 pág. 82).
Os Currículos do programa foram assim organizados:
Maior precisão de responsabilidades, não dando lugar a improvisações.
Maior eficácia na hora de eliminar ou trocar condutas inadequadas.
Oportunidade para observar o desenvolvimento da aprendizagem do aluno.
Diminuição de aspectos pouco mensuráveis.
Contribuição à avaliação da aprendizagem do aluno.
Maior facilidade para relacionar a aprendizagem do aluno com os objetivos previstos no currículo.
Nas últimas décadas, acumulou-se uma quantidade considerável de experiências em técnicas para o ensino de crianças autistas, desenvolvidas por educadores de vários países.
A maioria delas aponta para os seguintes objetivos gerais de educação:
Prevenir ou reduzir deficiências secundárias.
Descobrir métodos para recuperar deficiências primárias.
Descobrir métodos para recuperar deficiências primárias e descobrir formas para ajudar a criança a desenvolver funções relacionadas às deficiências primárias.
As crianças com autismo, regra geral, apresentam dificuldades em aprender a utilizar corretamente as palavras, mas se obtiverem um programa intenso de aulas haverá mudanças positivas nas habilidades de linguagem, motoras, interação social e aprendizagem é um trabalho árduo precisa muita dedicação e paciência da família e também dos professores. É vital que pessoas afetadas pelo autismo tenham acesso a informação confiável sobre os métodos educacionais que possam resolver suas necessidades individuais.
A escola tem o seu papel no nível da educação. São elaboradas estratégias para que estes alunos consigam desenvolver capacidades de poderem se integrar com as outras crianças ditas "normais". Porém, a família tem também um papel crucial, porque são os que têm mais experiência em lidar com as crianças, principalmente, porque as crianças autistas necessitam de atenção redobrada, durante 24 horas. Muitas vezes, a profissão e o horário cotidiano não facilitam, mas é importante dispensar algumas horas para que as crianças possam se sentir queridas e mostrar o que aprenderam. Os pais podem encorajar a criança a comunicar espontaneamente, criando situações que provoquem a necessidade de comunicação. Não se deve antecipar tudo o que a criança precisa, deve - se criar momentos para que ela sinta a necessidade de pedir aquilo que precisa.
Pesquisa: O Pedagogo na Educação da Criança.
www.google.com.br
UNIDADE 6
DEFICIÊNCIA MENTAL
O conceito de deficiência mental é definido, formalmente, pela APA (2002) - American Psychiatric Association (associação médica responsável pela organização do manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, o DSM) como comprometimento intelectual significativo, acompanhado de limitações importantes no funcionamento adaptativo em, pelo menos, duas das seguintes áreas de habilidade: comunicação, autocuidados, vida doméstica, habilidades sociais/interpessoais, usos de recursos comunitários, auto-suficiência, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança. Além disso, o início da deficiência deve se manifestar antes dos 18 anos. Nessa perspectiva, o diagnóstico busca identificar as necessidades de apoio que deverão ser oferecida pelo meio social.
O diagnóstico envolve também a pesquisa de possíveis etiologias e, quanto antes for realizado, melhores serão as possibilidades de intervenção. As causas e os fatores de risco que podem levar à deficiência mental são inúmeras. Entre elas, podemos destacar os pré-natais, que incidem desde a concepção até o início do trabalho de parto; os pré-natais, que abrangem o período do início do trabalho de parto até o trigésimo dia de vida do bebê e os pós-natais, que vão do trigésimo dia de vida ao final da adolescência.
É importante fazer o diagnóstico diferencial, pois algumas situações como o fracasso escolar produzido pelas desigualdades sociais, pode confundir, muitas vezes, os profissionais menos preparados. O diagnóstico da dislexia também precisa ser bem definido para que o transtorno não seja confundido com outros. Há também muita confusão entre as definições de doença mental e deficiência mental. Na primeira há comprometimento da percepção da realidade, o que não ocorre no caso da deficiência.
O movimento da educação inclusiva surgiu com o intuito de promover eqüidade de oportunidades educacionais para todos. Porém, a inclusão de crianças com deficiência mental na rede regular de ensino tem sido um dos maiores alvos de resistência dos professores, pois a deficiência mental é a que mais se confronta com os objetivos tradicionais da escola.
Entretanto a dois posicionamentos éticos no âmbito da educação inclusiva: a ética da convicção e a ética da responsabilidade. Quando a inclusão está pautada na ética da responsabilidade, pode trazer várias vantagens, como contribuir para o aprimoramento da prática pedagógica, favorecer a tolerância do grupo diante das diversidades, ajudarem no aprendizado das regras sociais por parte das crianças com deficiência mental, entre outras, preparar-se para atuar na modalidade inclusiva é um grande desafio para a escola e para o professor, que precisam se reestruturar.
O despreparo de profissionais para o trabalho com crianças que precisam de educação especial são freqüentes. No entanto, afirmam que não se pode falar de preparo do professor sem pensar na estrutura organizacional escolar, tão necessária à efetivação de políticas públicas inclusivas. Porém, quando o professor se prepara, mesmo que essa estrutura não seja satisfatória, as chances de sucesso são bem maiores.
O preparo do professor para educar alunos com deficiência mental envolve vários aspectos: consciência e compromisso com sua escolha profissional, identificação dos preconceitos sociais cristalizados no cotidiano e no próprio discurso, credibilidade no potencial de desenvolvimento específico de cada educando.
O preparo da escola também envolve aspectos relevantes, como gestão participativa que mobilize o grupo a refletir continuamente sobre os desafios da diversidade, montagem de equipes de apoio a professores, alunos e familiares, flexibilização do currículo e dos procedimentos de avaliação, entre outros.
Desse modo, busca-se a transformação da prática educacional tradicional para um enfoque inclusivo que atenda ao desenvolvimento da pessoa, uma vez que o modelo de escola inclusiva busca verificar, constantemente, o crescimento global do aluno, atentando para uma educação mais individualizada, personalizada, que irá satisfazer às necessidades básicas de cada um deles.
Os ambientes de aprendizagem na escola inclusiva deverão ser estabelecidos de forma que o portador de deficiência tenha oportunidades de participar e de se relacionar com o meio. Deve-se dar ênfase, também, ao trabalho grupal.
O contato com a diversidade dos pares beneficiará a todos os alunos da classe, pois obterão ganhos no desenvolvimento cognitivo, psicossocial e afetivo, o que contribui para a construção de uma sociedade na qual será possível o exercício da cidadania, com direitos e deveres iguais para todos.
Por outro lado a expectativas tanto dos familiares quanto dos professores são determinantes do desenvolvimento das crianças e acreditam que, mediante o apoio e as oportunidades que lhes são oferecidas, podem vir a apresentar bom desenvolvimento de suas potencialidades e revelar aptidões, independentemente da deficiência.
A família contribui, de forma relevante, na vida de todas as pessoas, e, no caso do portador de deficiência mental, essa questão é ainda mais marcante. A família é o primeiro núcleo social, formatando, assim, o modo da pessoa se sociabilizar, o que poderá interferir nas relações interpessoais futuras.
Leituras:
“Os alunos com deficiência mental” Alfredo Fierro
Capítulo 1 – “Deficiência Mental” Maria Sylvia
Estudos de caso - Parte final
PRATICA PEDAGÓGICA EM EDUCAÇÃO INCLUSIVA
Para começar quando recebemos as cadeiras que iríamos estudar neste semestre e li, Educação de Pessoas com Necessidade Educacionais Especiais, fiquei muito contente e ao mesmo tempo muito apavorada “Será que estou trabalhando “certo” com meu aluno”?
Durante o semestre procurei ler e me atualizar com diferentes síndromes, para poder desenvolver os trabalhos direcionados pela interdisciplina.
Em meu dossiê postei alguns textos por entender que seriam de grande importância para meus estudos e minha compreensão das necessidades especiais, entre os textos está inclusão – deficiência física, histórico da síndrome do autismo e importância da avaliação pedagógica e deficiência mental.
Na escola que trabalho no turno da tarde não temos muitos casos de crianças com necessidades especiais o total de alunos que temos na escola é de 360 alunos. Especiais com laudo são 4 alunos,2 com Síndrome de Down, 1 cadeirante que foi transferida da escola por a escola não ter condições de acesso para a locomoção da aluna, e o meu aluno que agora tem laudo ele é psicótico.
Quando postei a atividade no dossiê estudo de caso, postei o relato (entrevista) da avó do aluno, neste relato ela conta a trajetória do aluno nesse espaço escolar, e as condições que ele vive fora do meio escolar, também aparece durante o relato minhas falas enquanto professora dele há dois anos (2008 e 2009).
Durante o relato da avó em nenhum momento ela disse que deficiência o aluno tinha, só no depoimento da orientadora que o laudo de psicótico do aluno foi realmente confirmado.
O aluno Dílson apresenta um comportamento diferenciado,tem dias que esta calmo outros esta tão agitado que não consegue ter concentração em aula e nem nas brincadeiras.Nos dias em que esta calmo realiza as atividades junto a professora,claro que dentro de seus limites,recorta, faz colagens, pinta, por ter esse comportamento variável o Dílson não desenvolve todas as atividades propostas em sala de aula,ainda apresenta muita dificuldade na construção da escrita e da leitura.
Acredito que o Dilson com ajuda da família que é bem presente e a nossa ajuda na escola irá conseguir superar dentro de seus limites mais algumas deficiências na aprendizagem e no seu convívio com os outros alunos.








" Todos somos iguais e na realidade, as diferentes raças humanas se tornam algo superficial, já que todos nós viemos do mesmo lugar e possuímos um laço familiar com uma mesma mulher. A razão pela qual nos vemos diferentes uns aos outros deve-se a diferenças ambientais e a mudanças de nossa pele e cultura no decorrer dos anos... contudo, somos todos iguais!" (mother of us all.) - http://dsc.discovery.com/
Minha caminhada nesse semestre só acrescentou na minha prática docente mais um pouco de conhecimento de como trabalhar com a educação inclusiva.Entretanto quanto mais conhecemos nosso aluno mais aprendemos com ele.
Ao ler a citação compreendi ainda mais que as diferenças acontecem devido aos ambientes onde vivemos, na escola local onde passamos muitas horas juntos, não consideramos os individuos(alunos) diferentes,procuramos atender suas solicitações transformando o ambiente agradável, oportunizando para todos as mesmas condições de aprendizagem, mesmo sabendo que cada individuo( aluno) aprende a seu tempo.
Portanto no contexto geral, devemos trabalhar com nossos alunos tudo que diz respeito a diversidade, valorizando seu conhecimento( bagagem que o aluno traz de sua vivencia fora do ambiente escolar), as diferenças de raças humanas,cultura de cada povo, nossas origens para que assim possamos nos sentir todos iguais mesmos com nossas diferenças.
Comments (9)
Marinez de Andrade Pinto said
at 10:39 pm on Apr 5, 2009
Que legal deu certo!
fernanda.pead@... said
at 11:39 am on Apr 22, 2009
Olá, Marinez! Integraste bem teu relato de experiência, os dados das escolas e comentários sobre os textos lidos. No seu wiki pessoal, poderias criar um link no sidebar para o novo pbwiki - Dossiê.
Abraços, Fernanda.
fernanda.pead@... said
at 1:54 pm on May 6, 2009
Oi Marinez!
Sobre os serviços especializados, sabes o número de alunos que são atendidos? Seria interessante se acrescentasse uma reflexão à apresentação dos serviços especializados. Em relação ao estudo de caso, a leitura pode se tornar mais clara, do terceiro ao oitavo parágrafo, revisando-os quanto à pessoa que está relatando o caso: a avó ou você. A avó não chegou a lhe relatar o resultado da avaliação do CEACAF e para quê ele faz uso de medicação? É um dado importante para a compreensão de seus acompanhamentos, de seu jeito de ser e se relacionar com os outros. Ele segue no 1º ano? Teu Dossiê está bem encaminhado, e com a sequência das unidades poderá ir aprofundando-o.
Grande abraço,
Fernanda
Marinez de Andrade Pinto said
at 9:11 pm on May 6, 2009
Olá Fernanda!A tua observação quanto ao número de atendimentos dos serviços especializados, não temos o número de atendimento, a escola encaminha e não sabemos quantos alunos estão lá para serem atendidos, este serviço atende todas as escolas do municipio.O relato foi escrito com base nas entrevistas feitas com a avó,e conversar que temos periodicamente devido ao comportamento do aluno, meu ralato aparece também destacando alguns fatos importantes.Um abraço! Marinez Pinto
Marinez de Andrade Pinto said
at 10:05 pm on May 6, 2009
Oi, Fernanda!Esse ano( 2009) o Dilson é meu aluno novamente no 2ºano EF9, por não ter obtido promoção.Boa semana.Marinez
fernanda.pead@... said
at 11:07 pm on Jun 21, 2009
Boa noite, Marinez!
Não está claro o direcionamento de seu estudo de caso desde a unidade quatro. Sugiro que você revise as orientações das atividades do estudo de caso desde tal unidade.
Um abraço,
Fernanda
Marinez de Andrade Pinto said
at 8:24 pm on Jun 24, 2009
Boa noite,Fernanda!Me explique por favor o que não ficou claro no meu direcionamento do estudo do caso, sendo que o relato publicado foi feito pela pessoa que cuida do menino e por mim que trabalho com ele a dois anos.Um abraço! Marinez
fernanda.pead@... said
at 1:58 am on Jul 1, 2009
Oi Marinez! Esclarecendo sobre o direcionamento do estudo de caso, a partir da unidade referida anteriormente, começaste a comentar os temas das unidades (autismo, deficiência física e mental) e ficou difícil visualizar como te organizastes em relação às atividades de cada unidade sobre o estudo de caso. Por isso, sugeri que você identificasse as atividades correspondentes a cada unidade. Abraço, Fernanda.
fernanda.pead@... said
at 9:30 pm on Jul 12, 2009
Oi Marinez!
Na parte final de seu dossiê, você faz uma retomada de sua vivência e reflexões sobre esta disciplina. Refletir sobre a própria ação é fundamental para uma prática educativa coerente e voltada para a educação inclusiva. Senti falta de uma apreciação pessoal ao final. Optando pela citação, ao final, seria importante contextualizá-la e comentá-la.
Abraços,
Fernanda
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